Vivo anuncia iPhone a R$ 899, e traz 200 mil aparelhos para o Brasil

A acirrada disputa entre as duas primeiras colocadas no mercado brasileiro de celulares pôde ser percebida nas estratégias de lançamento do iPhone, que começa a ser vendido no país na sexta-feira.

Depois de a Claro anunciar que teve acesso a um lote inicial de 30 mil aparelhos e prever, inclusive, a escassez do modelo diante da forte demanda, a Vivo anunciou nesta quinta-feira preços menores que a concorrente e um lote mais de seis vezes maior.

No caso da Claro, os preços variam entre R$ 1 mil e R$ 2,6 mil, mas o preço mais baixo é obtido graças a descontos mensais na franquia. A Vivo, por sua vez, anunciou preço básico de R$ 899 para o modelo de 8 GB e de R$ 2.199 para a versão de 16 GB.

A Vivo é a maior operadora do Brasil em número de clientes, enquanto a Claro assumiu a segunda posição no mês de agosto, posto que havia perdido para a TIM há quatro anos.

O presidente da Vivo, Roberto Lima, explicou, entretanto, que, a partir desse preço básico, a companhia fornece descontos de acordo com o perfil do cliente, o tempo em que ele está na base da operadora e o plano de minutos que ele tem.

Ele ressaltou, em entrevista à Reuters, que “o foco é nos clientes da base” neste primeiro momento. Dos 42 milhões de assinantes, a Vivo acredita que algo como 1 milhão possam ter interesse no iPhone.

A Vivo encaminhou uma mala direta em agosto para os clientes em que percebia potencial interesse pelo aparelho. Para aqueles que se interessaram ao saber das condições, a companhia agendou a entrega no local e data estipulados pelo assinante.

De acordo com Lima, a partir de outubro o iPhone chega também às revendas especializadas. A prioridade continuará a ser o atual assinante Vivo, mas outros clientes poderão ser atendidos, conforme a disponibilidade.

Lote maior
A Vivo informou já ter 200 mil iPhones comprados, segundo Lima, enquanto a Claro disse ter recebido 30 mil modelos em um primeiro lote.

“Acredito que vamos conseguir atender a demanda”, afirmou Roberto Lima. A rival, no entanto, previu que faltará produto aos interessados, já que a Claro adotou a estratégia de vender tanto para clientes como para os demais interessados.

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Fonte: G1
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Novas regras para a telefonia celular entram em vigor em meio a dúvidas

Orgãos de defesa do consumidor e Anatel discordam de alguns pontos, como a fidelização, e as questões podem acabar sendo decididas na Justiça

RIO – Antes mesmo de entrar em vigor nesta quarta-feira, as novas regras do setor de telefonia celular do país já geram polêmicas que podem acabar tendo que ser decididas na Justiça. Isso porque pontos importantes da Resolução 477 estão sendo interpretados de forma diferente pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável pela fiscalização do mercado, e pelos órgãos de defesa do consumidor.

A legislação existe exatamente para coibir os contratos. Caso contrário, pode colocar no contrato também que a fidelização será de 50 meses, mesmo a lei falando em no máximo 12 meses


A principal discordância diz respeito à fidelização. O Artigo 25 da Resolução diz que não pode haver carência, ou seja, exigência de tempo mínimo de permanência, para que o consumidor mude de plano dentro da mesma empresa. Já o Artigo 40, autoriza as operadoras que concederem descontos em preços de aparelhos ou tarifas a exigirem de contrapartida a permanência de 12 meses na empresa. O detalhe é que a fidelização seria à empresa e ao plano.

– Esta é uma das grandes novidades da regulamentação, a fidelização à empresa e não mais ao plano. Está expresso no regulamento que não pode haver carência para mudança de plano – explica Marta Aur, técnica do Procon de São Paulo.

Na prática, isso implica dizer que um cliente que obteve um desconto enorme porque aderiu a um plano de 500 minutos mensais, pode, no mês seguinte, pedir a troca para um plano de 40 minutos.

– A fidelização é à empresa e não ao plano e isso independe do subsídio que se tenha dado. Dentro da mesma empresa o consumidor pode mudar de plano a qualquer tempo – reforça a advogada Daniela Trettel, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

A equipe técnica da Anatel, entretanto, tem uma interpretação diferente. De acordo com a agência, se o consumidor assinar um contrato de minutos em troca de subsídios, ele deverá cumprir aquilo que ele contratou.

Infelizmente, a Anatel tem o olho mais para as empresas do que para os clientes


– É claro que essa mudança pode provocar mudança nas políticas de subsídios da empresa. Mas esse argumento da Anatel não se aplica, porque a legislação existe exatamente para coibir os contratos. Caso contrário, pode colocar no contrato também que a fidelização será de 50 meses, mesmo a lei falando em no máximo 12 meses – rebate a advogada do Idec, já prevendo que a interpretação dos pontos polêmicos da nova lei pode acabar em discussão judicial.

Desbloqueio para todos

Outro ponto de discordância é o direito ao desbloqueio gratuito do aparelho. Tanto o Procon de São Paulo e o Idec, entendem que ele deve ser oferecido gratuitamente a todos os consumidores, mesmo àqueles que compram aparelho subsidiado.

– O consumidor que ganha um benefício não vai poder rescindir o contrato com a empresa pelo período máximo de um ano, mas pode desbloquear o telefone e usar também o chip de uma outra operadora neste mesmo aparelho, por exemplo no fim de semana – diz Marta Aur.

Mas segundo os técnicos da Anatel, se no contrato de fidelização assinado pelo cliente estiver previsto que que o aparelho permanecerá bloqueado por até 12 meses, isso será permitido. Terminado esse período ou se o cliente desistir da fidelização antes do prazo previsto – pagando a multa – aí sim, ele terá direito a desbloquear o aparelho gratuitamente.

O valor da multa por desistência varia de empresa para empresa, mas é sempre proporcional ao tempo que falta para terminar o prazo contratado. Quanto mais longe do fim do contrato, maior o valor a ser pago.

– Fidelização é uma coisa e bloqueio é outra. A regulamentação não liga as duas coisas, seguindo o Código de Defesa do Consumidor, sempre entendemos que o bloqueio é abusivo – argumenta Daniela Trettel.

A advogada Maria Inês Dolci, coordenadora da Pro Teste Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, também vê pontos polêmicos nas regras e acredita que haverá muitos problemas nesta fase inicial. Até porque, destaca, o setor de telefonia celular já está entre os líderes de reclamações.

– A norma tem que ser interpretada de forma mais favorável para o consumidor. Mas infelizmente, a Anatel tem o olho mais para as empresas do que para as pessoas. Por isso, vamos ver como ficarão os contratos das operadoras e, se houver pontos obscuros, vamos denunciar e pedir mudanças.

A Associação Nacional da Operadoras de Celulares (Acel) não quis comentar os pontos polêmicos.

fonte: www.oglobo.com