Michael Jackson usa 25º aniversário de ‘Thriller’ para retomar sua carreira

RIO – O 25º aniversário de “Thriller” caiu do céu para Michael Jackson. Depois de descer às profundezas abissais com o processo por abuso sexual há quase três anos e de se autoexilar nos Emirados Árabes, o cantor prepara sua volta em cima da edição comemorativa que acaba de chegar às lojas brasileiras com remixes de Kanye West, Akon, will i am e dueto com Fergie. O álbum original tem uma pequena contribuição brasileira, a cuíca do percussionista Paulinho da Costa na faixa de abertura, “Wanna be starting something”. Michael tem shows marcados para meados do ano em Londres e vem trabalhando num álbum de inéditas sem data de lançamento.

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‘Thriller – 25 anos’ já vendeu 104 milhões de cópias

Curta metragem de ‘Thriller’ custou US$ 500 mil e fez história

Chamar rappers famosos é o truque de sempre para quem quer se mostrar atual. Parece que o rap hoje vale como um chancela de modernidade. Aliado ao produtor Quincy Jones, Michael Jackson lançou três discos fundamentais para redefinir a música negra, “Off the wall” (1979), “Thriller” (1982) e “Bad” (1987). No mesmo ano de “Thriller”, saía o marco fundador do rap, o single “Planet rock”, de Afrika Bambaataa, um dos criadores da cultura hip hop, apropriando-se da música eletrônica do grupo alemão Kraftwerk.

“Thriller – 25 anos” usa amplamente os sintetizadores e baterias eletrônicas. Em algumas canções há seis músicos manipulando e programando esses instrumentos, que dariam o tom da década em um sem número de grupos e artistas. Não deixa de lado cordas e os sopros com riffs da velha escola, mas estes ficam em segundo plano na mixagem para privilegiar sintetizadores. Alguns metais são recriados por emulators.

O visual da versão de aniversário privilegia a versão-monstro dele em ”Thriller”, cercado de mortos vivos na capa e como lobisomem na contracapa, decisão estranha quando se pensa em recuperar uma reputação desgastada.

A edição comemorativa vem com um DVD que tem os clipes de “Billie Jean”, “Beat it”, o curta de 14 minutos de “Thriller” e a apresentação na festa de 25 anos da Motown em que dublou “Billie Jean” e apresentou ao mundo seu passo de dança Moonwalk.

Além das nove faixas originais, o CD traz numa vinheta a famosa risada do ator Vincent Price (1911 – 1993), estrela de filmes B de horror, a inédita “For all time” e cinco remixes. O badalado will i am pilota “The girl is mine”, “P.Y.T. (Pretty young thing)” e “Beat it”. Kannye West, recém agraciado com quatro Grammys, assina “Billie Jean” e Akon refaz “Wanna be starting something”. Vamos a elas. 

A responsabilidade de mexer em canções de um disco que marcou época e é o mais vendido de todos os tempos, com mais de 100 milhões de cópias, é imensa e só Kanye West e, em menor medida, Akon, estiveram à altura do desafio. Akon por dar um acento mais africano a “Wanna be starting something”, que já tinha um elemento afrocaribenho e ficou mais étnico. Akon nasceu na América, mas foi criado no Senegal, daí sua contribuição virada para a Mama África. West acertou em cheio com “Billie Jean”. Substituiu a abertura de baixo e bateria pela voz de Michael com cordas ao fundo e uma batida quebrada em vez da levada reta do original, trazendo de maneira digna para os dias de hoje a história real de uma menina que tentou atribuir a Jackson a paternidade de seu filho, a inspiração dele para a música.

will i am usou basicamente o mesmo timbre de sintetizadores e bateria para “The girl is mine” e P.Y.T. (Pretty young thing) sem nada acrescentar de significativo, com intervenções bem sarapas de raps aqui e ali. “Beat it” teve seu perfil rock destruído por will i am sem que criasse um substituto eletrônico à altura. No original temos duas guitarras à direita e à esquerda do estéreo fazendo riffs e marcação, a guitarra do canal direito prepara a entrada do genial solo de Eddie Van Halen, gravado de prima. will trocou as guitarras por sintetizadores com uma batida pulsante, mas não contagiante e manteve o solo de Eddie, que soa totalmente deslocado. Fergie nada acrescenta com sua voz, jogada bem atrás da voz de Michael na mixagem. A inédita “For all time” não passa de uma variação de “Human nature”, uma das mais bonitas do álbum original.

fonte: www.oglobo.com

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